23 março 2012

O Amor nos Tempos de Cólera

"Passou outra semana irreal, sem poder concentrar-se em nada, a comer mal e a dormir pior, a tentar perceber sinais cifrados que lhe indicassem o caminho da salvação. Mas a partir de sexta-feira invadiu-o uma tranquilidade sem motivos que interpretou como um prenúncio de que nada de novo aconteceria, que tudo quanto havia feito na vida fora inútil  e não tinha maneira de continuar: era o fim. Na segunda-feira, porém, ao chegar à sua casa, na Rua das Janelas, deu com uma carta que flutuava na água empoçada no saguão e reconheceu imediatamente no sobrescrito molhado a caligrafia imperiosa que tantas mudanças na vida não tinham feito mudar e até acreditou reconhecer o perfume nocturno das gardénias murchas, porque o coração já lhe dissera tudo logo ao primeiro assombro: era a carta que esperara, sem um momento de sossego, durante mais de meio século."

in "O Amor nos Tempos de Cólera" de Gabriel García Márquez

21 março 2012

Dia Mundial da Poesia

(A Poetisa de Joan Miró)

"Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma..." 
    
Florbela Espanca
mix(imagem+texto) by Moonshine 

20 março 2012

Primavera


No 1º. dia de Primavera os acordes da música de Stravinsky inundaram o Marquês de Pombal em Lisboa.
Cerca de 100 músicos da Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigidos pelo maestro Martin André,  interpretaram "A Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky num concerto gratuito aberto ao público.
E esta foi, também, a minha celebração da Primavera.

07 março 2012

Dewey


"Mas não era só de aspecto que ele era bonito; era também a sua personalidade. Qualquer pessoa que gostasse minimamente de gatos tinha de lhe pegar. Havia qualquer coisa na cara dele, na maneira como olhava para nós, que atraía o amor.
- Ele gosta de ser embalado – disse, transferindo-o para os braços de Mary. Não, de costas. Exactamente. Como um bebé.
- Um bebé de meio quilo.
- Acho que nem sequer deve pesar tanto.
O gatinho abanou a cauda e aninhou-se nos braços de Mary.
Viemos a descobrir que afinal não era só no pessoal da biblioteca que ele confiava instintivamente; confiava em toda a gente.
- Oh, Vicki – disse Mary. – É adorável. Como se chama?
- Estamos a chamar-lhe Dewey. Por causa da Classificação Decimal de Dewey. Mas ainda não nos decidimos por um nome.
-Olá, Dewey. Gostas da biblioteca? – Dewey olhou para Mary e encostou a cabeça ao braço dela."

in "Dewey - O gato que comoveu o mundo" de Vicki Myron

04 março 2012

Schloss Schonbrunn

Palácio de Schonbrunn, Viena de Áustria
considerado Património da Humanidade pela Unesco



fotos by Moonshine

26 fevereiro 2012

cidadão do mundo

E assim começou o dia.....  com o aroma de um Nespresso :)
pequeno almoço em Lisboa, Portugal

 ...e após uma viagem cortando as nuvens, seguiu-se o almoço no Café du Vaudeville em Bruxelas na Bélgica  
...mais umas nuvens e um céu para deslizar, e o dia terminou com um jantar... Viena de Áustria

The End...zzzzzzzz....

23 fevereiro 2012

Os Pilares da Terra

"O coração de Philip teve um sobressalto. Como era possível que a sua igreja estivesse a arder?
Decidiu entrar. A princípio, o cenário confundiu-o. No chão da igreja, em volta do altar e do transepto sul, viam-se enormes pedaços de madeira a arder. Donde teriam eles vindo? Como é que podiam libertar tanto fumo? E que ruído estrondoso era aquele que parecia um incêndio de muito maiores proporções?
Cuthbert gritou: - Olhai lá para cima!
Philip olhou, e as suas perguntas encontraram resposta. O tecto estava a arder encarniçadamente. Ficou a olhar fixamente para o alto, horrorizado: fazia lembrar o avesso do inferno. A maior parte do tecto pintado já desaparecera, deixando à mostra os triângulos de madeira do telhado, escurecidos e incandescentes, as labaredas e o fumo a saltar e a revolutear numa dança demoníaca. Philip ficou quieto, paralisado pelo choque, até lhe começar a doer o pescoço de ter a cabeça empertigada; e só então conseguiu recobrar a presença de espírito.
Correu para o meio da intersecção, postou-se diante do altar e olhou em redor da igreja. Todo o tecto estava em chamas, desde a porta ocidental até à ala oriental, percorrendo ambos os transeptos duma ponta à outra. Durante um instante de pânico, pensou: “Como é que vamos fazer para levar a água lá para cima?” Imaginou uma fila de monges a correrem pela galeria armados de baldes, e de imediato constatou que seria impossível: ainda que dispusesse duma centena de pessoas para aquela tarefa, nem assim seriam capazes de transportar para o telhado água que bastasse para apagar aquele inferno de chamas."

in "Os Pilares da Terra" vol I de Ken Follett

18 fevereiro 2012

(Heleen Vriesendorp)

"As minhas mãos mantêm as estrelas
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia vai de flor em flor
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas."

Sophia de Mello Breyner
mix (imagem+texto) by Moonshine 

07 fevereiro 2012

body & mind

Estreia no Body & Mind num ambiente de tranquilidade, música suave e movimentos calmos. Para "esticar o corpo" e "espraiar o espírito". Assim decorreu esta aula anti-stress, com tudo a conjugar-se para um total relax.

02 fevereiro 2012

Furla

Excelente, esta imagem publicitária da marca Furla.

FURLA - um must no mundo da moda! Adoro!

16 janeiro 2012

Dança Dança Dança

"Cada ser humano atinge o seu apogeu de maneira diferente, num dado momento. Uma vez alcançado esse ponto alto, é sempre a descer. Fatal como o destino. E o pior é que ninguém sabe onde é que se situa o seu próprio auge. A linha divisória pode desenhar-se de repente, quando uma pessoa pensa que ainda estava a pisar terreno seguro. Ninguém tem maneira de saber. Alguns atingem esse pico aos doze anos, e depois espera-os uma vida perfeitamente monótona e sem chama. Outros continuam sempre em ascensão até à morte; outros morrem no seu máximo esplendor. Muitos poetas e compositores vivem em estado de permanente arrebatamento e estão mortos quando chegam aos trinta anos. Depois há aqueles, como é o caso de Picasso, que aos oitenta e muitos anos ainda pintava quadros cheios de vigor e teve uma morte tranquila, sem saber o que era o declínio."

in "Dança Dança Dança" de Haruki Murakami

15 janeiro 2012

bad memory :(

:(  bye bye fotos... bye bye flashes...
Uma das minhas máquinas fotográficas resolveu prescindir da minha companhia e voou para outras paragens na companhia de um "novo dono". Voou, literalmente, mas sem a minha autorização. Alguém se deve ter "apaixonado" por ela, provavelmente foi amor à primeira vista,  e não conseguiu resistir a "dar-lhe a mão".
Um triste acontecimento que ensombra a recordação da minha passagem pelo aeroporto de Frankfurt, Alemanha.
Quem sabe se um dia não me cruzo com ela, algures, aí pelo mundo.
Como prémio de consolação ainda me restam as fotos que captei com uma outra máquina de menor precisão.
Bad memory  :(

08 janeiro 2012

A Perspectiva das Coisas

E foi olhando a diversidade na representação das coisas que explorei a exposição "A Natureza-Morta na Europa" que esteve presente no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Havia pintores de referência, como Manet, Monet, Renoir, Van Gogh, Gaugin, Cézanne, Braque, Picasso, Juan Gris, Dalí, Magritte, Matisse e ainda outros menos conhecidos. Também havia obras dos pintores portugueses Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Mário Eloy e Vieira da Silva.


Com esta obra de Magritte foi um 2º encontro, dado que já me tinha "chocado" com ele no MOMA (Museum of Modern Art) de Nova Iorque. 

01 janeiro 2012

Dia Mundial da Paz

A minha homenagem ao Dia Mundial da Paz:
"A Face da Paz" de Pablo Picasso
e a
"Ode à Paz" de Natália Correia. 
A Face da Paz de Pablo Picasso

"Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amamtes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
Deixa passar a Vida!"

in Inéditos de Natália Correia