30 janeiro 2010

Os homens são como chocolate


"Aliás, os homens são como chocolate”, meditei. Sedutoras tentações, disponíveis em infinitas variações. Alguns especializam-se em parecer dulcíssimos à primeira trincadela – como o Gerhard-braços-de-polvo -, só para depois revelarem o travo amargo da vertente mais escura. E eu que adorava especialidades.
E já que estamos a pensar nisso, onde é que ela está? Comecei a revolver obstinadamente o armário da cozinha. Por detrás da terrine à la minute? Não, mas se calhar tinha-se escondido atrás do puré de batata instantâneo, aquela invenção genial a que só era preciso acrescentar água a ferver.
Ah, eu bem sabia que estavas aí. Anda cá, meu chocolatinho. Especialidade nogado, do melhor que há. Pelo menos tu não andas a enganar ninguém. Avidamente, desembrulhei a barra. Sim, especialmente a variante nougat tem em si qualquer coisa de infinitamente reconfortante. E aquele requinte de se derreter na boca revelava já verdadeiras qualidades balsâmicas. Sobretudo se fosse intercalado com massa com molho de tomate.Muito resoluta, tratei logo de pôr a água a ferver num enorme tacho. Hoje não era dia de a cozinha ficar limpa. A minha alma estava faminta."
in "Os Homens são como Chocolate" de Tina Grube

19 janeiro 2010

17 janeiro 2010

Almoço BookCrossing

Almoço vegetariano no Jardim das Cerejas reuniu os BookCrossers: DharamInderKaur, Gribeiro, Isabelopes, ivosousa, zuzaa, butterfly-noir e Pierrot-Moon.
Foram momentos de agradável convívio acompanhados por um saudável menu.

14 janeiro 2010

Specially for ...

Presente de Natal que ofereci à Ri.
Livro (autografado pelo autor) + marcador de livros (made by Moonshine)

10 janeiro 2010

Ljubljana, Slovenia

Ljubljana Seminary Library
Slovenia

Indescrítivel a sensação, estar rodeada de livros neste cenário lindíssimo. Adorei esta biblioteca!

08 janeiro 2010

"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
...
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã..."
Álvaro de Campos (F.P.)

02 janeiro 2010

out 2009... in 2010!

o meu último flash em 2009 o meu primeiro flash em 2010
(a neblina e a chuva acho que "atacaram" a panorâmica :)))

20 dezembro 2009

Specially for ...

" O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo..."
Alberto Caeiro (F. P.)

Especialmente para a X. com um grande beijinho de Parabéns!

18 dezembro 2009

Sinto Muito


"A vida é tempo entre parêntesis.
Alma a nu, sentimento despido de pudor.
O amor como razão de ser e de viver.
(...)
Exemplo 2: «Vem nos livros…» Mas quais livros Deus meu! Escritos por quem? Mas será que as pessoas não sabem que a autoridade de um livro é apenas de quem o escreveu, naturalmente que uma pessoa que, como qualquer outra, tem os seus bias, erros, enviesamentos? (Uma variante muito utilizada pelos médicos, é: «Eles» dizem.) Em oposição, o reitor de Harvard, no discurso de encerramento do curso de Medicina começou da seguinte forma: «Metade do que vos ensinámos é mentira… não sei qual é essa metade!» "

in "Sinto Muito" de Nuno Lobo Antunes

13 dezembro 2009

marcador de livros (made by Moonshine)
Este livro+marcador foi o meu presente de boas-vindas para o BookCrosser com inscrição mais recente no Bookcrossing e que esteve presente no Jantar de Natal 2009 em Lisboa, BC Delta-J.

Jantar de Natal BookCrossing





Jantar de Natal que reuniu os BookCrossers num simpático convívio no Parque das Nações em Lisboa.
BCs presentes: Alexandrassilva, Pipmts, YellowBow, InesCF, ivosousa, Delta-J, SimplyP, Tanea31, Portunhola, lilifg1 e Pierrot-Moon.

10 dezembro 2009

Palavras de Fernando Pessoa


"Um sistema não é uma cabeça; um móvel não é gente. Todos os processos e todos os aparelhos resultarão elementos inúteis de organização se as cabeças dos indivíduos que os empregam não estiverem organizadas também. E essas cabeças estarão organizadas se estiver organizada devidamente a mesma parte do corpo do chefe que os dirige. Assim como se podem escrever asneiras com uma máquina de escrever do último modelo, se podem fazer disparates com os sistemas e os aparelhos mais perfeitos para ajudar a não fazê-los. Sistemas, processos, móveis, máquinas, aparelhos são - como todas as coisas mecânicas e materiais - elementos puramente auxiliares. O verdadeiro processo é pensar: a máquina fundamental é a inteligência. "
in "Palavras de Fernando Pessoa"

03 dezembro 2009

Almoço de Natal da CSI
Agradável convívio num almoço muito saboroso
(como curiosidade destaco que nem os livros escaparam)

30 novembro 2009

A Trilogia de Nova Iorque


"Agora, de repente, como se o mundo se tivesse afastado de si, com pouco mais para ver do que uma vaga sombra que dava pelo nome de Black, dá por si a pensar em coisas que nunca lhe tinham ocorrido antes, e isto começou também a preocupá-lo. Se, neste ponto, pensar é talvez uma palavra demasiado forte, um termo ligeiramente mais modesto – especulação, por exemplo – não andaria longe da verdade. Especular, do latim speculatus, que significa espiar, observar, derivado da palavra speculum, que significa espelho. Ora, espiar Black do outro lado da rua é como se Blue estivesse a olhar para um espelho, e em vez de estar apenas a observar-se a si próprio. A sua vida abrandou tão drasticamente que Blue é agora capaz de ver coisas que previamente escapavam à sua atenção. Por exemplo, a trajectória da luz que atravessa o quarto todos os dias, e a maneira como a certas horas o sol reflecte a neve no canto mais distante do tecto do seu quarto. O pulsar do seu coração, o som da sua respiração, o pestanejar dos seus olhos – Blue tem agora consciência destes ínfimos acontecimentos, e por mais que se esforce por os ignorar, eles persistem na sua mente como uma frase sem sentido incessantemente repetida. Sabe que não pode ser verdade, e contudo aos poucos esta frase parece adquirir um significado."

in "A Trilogia de Nova Iorque" de Paul Auster

27 novembro 2009

Bruxelas, Bélgica

MIM (Musée des Instruments de Musique), Bruxelas


Adorei a visita ao MIM.
Belíssimos instrumentos muito bem documentados (escrita e musical).

16 novembro 2009

O Outono do Patriarca


… mas aprendera a viver com essas e com todas as misérias da glória, à medida que descobria no transcurso dos seus anos incontáveis que a mentira é mais cómoda do que a dúvida, mais útil do que o amor, mais perdurável do que a verdade, tinha chegado sem espanto à ficção de ignomínia de mandar sem poder, de ser exaltado sem glória e de ser obedecido sem autoridade, quando se convenceu no rasto de folhas amarelas do seu Outono de que nunca havia de ser dono de todo o seu poder, que estava condenado a não conhecer a vida senão pelo avesso, condenado a decifrar as costuras e a corrigir os fios da trama e os nós da urdidura da gobelina de ilusões da realidade, sem suspeitar, nem sequer demasiado tarde, de que a única vida vivível era a de mostrar, a que nós víamos deste lado que não era o seu, meu general, deste lado de pobres onde estava o rasto de folhas amarelas dos nossos incontáveis anos de infortúnio e dos nossos instantes inapreensíveis de felicidade, onde o amor estava contaminado pelos germes da morte, mas era todo o amor, meu general, onde mesmo o senhor era apenas uma visão incerta de uns olhos lastimosos através dos vidros poeirentos da janela de um comboio, era apenas o tremor de uns lábios taciturnos, o adeus fugitivo de uma luva de cetim da mão de ninguém de um ancião sem destino que nunca soubemos quem foi, nem como foi, nem se foi apenas uma patranha da imaginação, um tirano de brincadeira que nunca soube onde estava o avesso e o direito desta vida, …

in "O Outono do Patriarca" de Gabriel García Márquez