17 agosto 2012

O Deus das Moscas


 
"A maré subia e havia apenas uma faixa de praia entre a água e a refuga branco e obstrutor, junto do terraço do palmar. Rafael escolhe a faixa dura para o seu piso, pois necessita de pensar, e só aqui pode mover os pés sem ter de os observar. De súbito, caminhando à borda-de água, sente-se esmagado de surpresas. Descobre que compreende o tédio da sua existência, em que cada caminho é uma improvisação, e uma considerável parte do tempo em que está acordado é consumida em ver onde põe os pés. Detém-se diante da faixa, e, ao relembrar aquela primeira exploração entusiástica, como se ela fizesse parte de uma infância mais deleitosa, sorri escarninho. Volta-se e dirige-se para o terraço, suportando o sol na cara. Chegara a hora da reunião, e, enquanto caminha ao encontro dos esvaecentes esplendores solares, reconsidera cuidadosamente os pontos, do seu discurso. Não deveria haver qualquer engano nesta reunião, nenhuma corrida atrás do imaginário... Perde-se num novelo de pensamentos, que se tornam vagos por falta de palavras para os exprimir. Franzindo a testa, tenta de novo."

in "O Deus das Moscas" de William Golding
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"Lord of the Flies", título original de "O Deus das Moscas", foi publicado pela primeira vez em 1954 e foi a primeira novela deste escritor.
William Golding foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1983.

28 julho 2012

livros em blackout ;)

antes...
depois...
Bom, rebobinando... ao sair, olho, e lá estavam os livros alinhados: O Ano da Morte de Ricardo Reis do Saramago, O Outono do Patriarca do García Marquez, O Jardim do Eden da Lídia Jorge, e mais uns quantos.
Volto alguns dias depois. O que é que aonteceu??!!! (espanto e incredulidade) Deparo-me com os livros em posição invertida. Será que contratei um designer de interiores e desconhecia esse facto?!
O meu pedido tinha sido bem simples:  "Limpar o pó". Nunca pensei que uma simples limpeza de pó englobasse alterar a posição dos livros desta forma. De repente, até pensei que as lombadas tivessem desaparecido mas afinal os livros estavam intactos; ainda bem que as palavras não desapareceram das páginas. LOL A única coisa que tinha mudado fora a posição dos livros em cima do móvel.
[thinking] Será que foi má ideia deixar O Doutor Jivago do Pasternak "costas com frente" com A Costa dos Murmúrios da Lídia Jorge? Ou terá havido problemas entre As Razões de Coração de Álvaro Guerra e O Amante de Lady Chatterley de D.H. Lawrence? :)
Foi o que se pode chamar um autêntico BLACKOUT. Traduzindo: os livros recusaram-se a dar a cara e viraram-me as costas. Claro que fui logo ver por toda a casa o que tinha acontecido aos outros livros. Ufa! Estavam todos (e são muitos) nas suas posições correctas. 
De quando em quando confronto-me com situações absolutamente bizarras. Sem dúvida que esta foi uma delas. ;)

25 julho 2012

A Tia Júlia e o Escrevedor


"Disse-lhe que a tia Julia não era mais um cata-vento frívolo como ela (o que realmente lhe encantou). Mas a mesma pergunta já a fizera eu várias vezes. Tinhamo-nos sentado em frente ao mar, num parquezinho belo com um nome impronunciável (Domodossola ou qulquer coisa assim) e ali, abraçados, a beijarmo-nos sem tréguas, tivemos a nossa primeira conversa sobre o futuro.
- Sei tudo com pormenores, vi numa bola de cristal - disse-me a tia júlia, sem a menor amargura. - Na melhor das hipóteses o nosso caso duraria três anos, talvez uns quatro, quer dizer, até encontrares a miúda que vai ser a mamã dos teus filhos, Então mandas-me embora e terei de seduzir outro cavalheiro. E aparece a palavra "Fim". "

in "A Tia Júlia e o Escrevedor" de Mario Vargas Llosa
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Este romance de Vargas Llosa, que se desenvolve em dois níveis que correm paralelos numa perfeita alternância, é o primeiro livro que leio deste escritor.

09 julho 2012

VIP

O meu workspace com direito a visita de entidade VIPíssima e sua comitiva;  breve apresentação com shakehand incluída.  

08 julho 2012

Cores e sabores da quinta

O morangal estava cheio de cor, pontilhado de vermelho aqui e ali ,com muitos morangos que espreitavam por entre as folhas verdes
um moranguito delicioso que viajou 300 km para ser saboreado

os gladíolos a alegrar o ambiente

e quem diria que estas flores tão curiosas são a origem das cebolas

Ainda havia as árvores de fruto cheias de ameixas, nesperas, pessegos, tangerinas e limões, a dar um colorido lindo à quinta. E o aroma da hortelã...  hummmmm....   

06 julho 2012

o mistério do gato preto


a receber festinhas da Ri

Sexta-feira, dia 6 - Oh! O que é isto na minha cozinha??!! Um gato preto! Penso logo, que dia é hoje? Será 13? ;)
Curioso como todos os gatos, passa vistoria à casa de cima a baixo, que é como quem diz, de norte a sul e de este a oeste. Todos os cantos são inspecionados por ele e o meu principal dilema é não o perder de vista dentro de casa. Saltita, ou melhor, desloca-se como um felino, ágil e silencioso, recebe miminhos duuuplos, bebe água, e continua a visita matando a curiosidade até que deve ter achado que a paisagem do outro lado da janela era um tudo nada familiar aquela a que está habituado diariamente e, talvez por isso mesmo, mantem-se sossegadamente à janela durante algum tempo. Está visto que não sofre de vertigens, está habituado às alturas, também se saltasse precisava de mais de 7 vidas para se safar, a menos que tivesse pára-quedas. Nesta altura, eu já tinha descoberto o mistério do gato preto que apareceu na minha cozinha como num passe de mágica. A origem do gato era mesmo ali na porta ao lado. Afinal o miau é a gata do vizinho que deve ter poderes de invisibilidade ou teletransporte ou qualquer coisa desse género.  J   

26 junho 2012

Summer bag

made by Moonshine

Para dar mais colorido ao meu Verão.
Cheio de cor, leve e prático: é o meu Summer bag.  

22 junho 2012

O que diz Molero

"... e isto tem muito que se lhe diga, é o que diz Molero, há os que tomam o peso à palavra, os que lhe medem o comprimento e a altura, os que cheiram a palavra, os eu espreitam para dentro dela, os que se empoleiram nela, os que a trazem às costas, os que a limpam constantemente, que a guardam avaramente na algibeira, que dormem com ela debaixo do travesseiro, que a colam ao céu da boca, que andam na rua com ela a dançar à frente dos olhos e depois dão com a cabeça num candeeiro, que tomam posse dela, de preferência à luz das estrelas, e depois deitam-na fora sem mais nem menos, esta palavra já está, agora venha outra, e há os outros, aqueles que amontoam palavras, que estão atulhados de palavras, caem-lhes palavras do bolso quando tiram o lenço com um gesto abrupto, e cada folha tem um nome, e cada grão de areia também tem, e as palavras que existem já não chegam, fazem palavras novas com tudo o que aparece, tiram palavras do ombro quando sacodem a poeira, e depois nascem palavras por geração espontânea, são já as palavras que se escrevem a si próprias, umas puxam as outras, nunca mais acaba, e há aquela história, um pouco à Kafka, do homem que se fechou por dentro enquanto as palavras se amontoavam do lado de fora da porta, espalhavam-se pela escada e chegavam à rua, apoderavam-se da cidade e do país, faziam pressão sobre a porta, o homem colocava cadeiras e mesas do lado de dentro para as palavras não entrarem, nunca se chegou a saber o fim desta história, …"

in "O que diz Molero" de Dinis Machado
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Este livro é o meu primeiro contacto com a escrita de Dinis Machado; interessantíssima a sua escrita.

21 junho 2012

passeio à beira-mar

foto by Moonshine

Mais um passeio à beira-mar com encontros não procurados.
Desta vez teve direito a "rescue" e tudo. Uma fauna local ainda mais curiosa do que a encontrada noutras caminhadas e desta vez não eram animais marinhos. Mesmo à beira da água vejo uma pequena "bola com patinhas" que não é senão um ratinho minúsculo que estava a 1 metro da água; deve ter sido empurrado pelo vento, desde as dunas. Claro que nem houve tempo para foto de reportagem J pois o importante era que o bichinho voltasse ao seu habitat.  
Mas ainda não tinham acabado os encontros surpresa. E, esta surpresa, eu d-i s-p-e-n-s-a-v-a! O que me pareceu uma sombra esguia e longa com movimento, não era senão uma cobra esguia e longa que atravessou uma parte do areal na duna e que estava a ser seguida por um pássaro que corria atrás dela para a picar. Eu é que fiquei arrepiada (embora a cobra estivesse a uns 7 metros e ia à sua vidinha) e com pena do pobre pássaro que era tão pequeno relativamente a ela.
De vida selvagem foi só.
O encontro com os cavalos, que costumam cavalgar pelas dunas, já é habitual.

12 junho 2012

mini mini livro



"Os meus direitos fundamentais na União Europeia" é o meu livro mais pequeno, que é o mesmo que dizer, o meu mini mini livro visto as suas dimensões serem diminutas, como se pode constatar pela imagem. Tem somente 2,5cm x 3,2cm.
Mas, como ser pequeno nunca significou ser menos importante, ele comporta 54 artigos que constituem a "Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia". Com uma letra quase microscópica, inicia com o "Artigo 1º. - Dignidade do ser humano" e finaliza com o "Artigo 54º. - Proibição do abuso de direito".

11 junho 2012

recycle cápsulas Nespresso


marcador de livros (made by Moonshine)

As cápsulas Nespresso não só albergam um excelente café como podem ser recicladas com originalidade e transformadas em marcadores de livros.

08 junho 2012

passeio à beira-mar

Uma caminhada à beira-mar é sempre um exercício ótimo e de anti-stress. Mas parece que escolhi a "hora de ponta" porque foi cheio de encontros com a fauna local.

 As gaivotas, num momento de pausa, lá estavam para me dar as boas-vindas.

o 2º. encontro foi com as estrelas-do-mar que se espraiavam mesmo à beira da água

e ainda os caranguejos, com que me cruzei, muito apressados no seu andar retro

Uma caminhada a repetir e espero que, numa próxima, o trânsito à beira-mar continue intenso e me permita travar conhecimento com mais algumas espécies.
(fotos by Moonshine)

06 junho 2012

A Mancha Humana

"Ouvia, ao longe, o som das danças de Rachmaninoff que vinha do Alpendre, mas tirando isso era como se estivesse ali sozinho, profundamente embrenhado nas dobras daqueles montes verdes. Sentei-me na relva, estupefacto, incapaz de explicar o que estava a pensar: ele tem um segredo. Este homem idealizado de acordo com os mais convincentes e credíveis traços emocionais, esta força com uma história tal, este homem benignamente astucioso, suavemente encantador e aparentemente viril em todos os aspectos, tem, no entanto, um segredo imenso. Como chego a esta conclusão? Porquê um segredo? Porque está ali, sente-se, quando ele está com ela. E também quando não está com ela. É no segredo que reside o magnetismo dele. O que fascina é qualquer coisa que não está ali, e é isso que me tem atraído desde o princípio, o enigmático não sei quê que ele manteém à parte, que reserva como seu e de mais ninguém. organizou-se como a lua, para ser só metade visível. E eu não posso torná-lo totalmente visível. Há um espaço em branco. É só isso que sei. Eles são, juntos, um par de espaços em branco. Há um espaço em branco nela e, apesar do seu ar de homem firmemente estável e até, sendo preciso, um adversário obstinado e decidido - o colérico gigante da universidade que preferiu demitir-se a aceitar os humilhantes disparates dos seus pares -, há também, algures, um espaço em branco nele, uma rasura, uma excisão, embora eu não faça a mínima ideia do quê... "

in "A Mancha Humana" de Philip Roth  

04 junho 2012

Festas de Lisboa 2012







Eis a Sardinha vencedora das Festas de Lisboa 2012

A Matilha Cycle Crew, composta por Micaela Vieira Neto, Patrick Ferreira dos Santos e Fernando Augusto, foi a autora da obra.

 

29 maio 2012

Trifle de manga

o meu Trifle de Manga

A Bimby em ação para criar esta sobremesa deliciosa e fresca.
Alguns ingredientes básicos, mais os indispensáveis como a manga e o maracujá. A Bimby chocalhou, agitou, envolveu, e como num passo de mágica (+ ou -) eis que surge o delicioso Trifle de manga.
Claro que nada disto seria possível sem uma mão, ou melhor, as duas mãos e o cérebro de uma humana (myself) sem a qual a Bimby seria um simples adereço culinário. J

28 maio 2012

Palavras, são como crianças grandes

"As palavras são seres frágeis mas rebeldes, que precisam tanto de amor como de disciplina. Se não sentirem da parte daquele que fala ilimitado amor e firme autoridade, as palavras são capazes de todo o tipo de irresponsabilidades, desde desatarem a falar sozinhas e dizerem o que lhes vem à cabeça até revelarem os nossos segredos mais escondidos, mesmo aqueles que nem nós próprios conhecemos.
... "

in "Palavras, são como crianças grandes" de Manuel António Pina, revista Notícias Magazine   

20 maio 2012

O Alquimista


"Quando tirou o casaco, pensando em dá-lo de presente a um rapaz da rua, as duas pedras rolaram pelo chão: Urim e Turim.
O rapaz então lembrou-se do velho rei, e ficou surpreendido ao aperceber-se há quanto tempo não pensava nisso. Durante um ano tinha trabalhado sem parar, pensando apenas em conseguir dinheiro para não voltar de cabeça baixa para Espanha.
«Nunca desistas dos teus sonhos», tinha dito o velho rei. «Segue os sinais.»
O rapaz apanhou Urim e Turim do chão, e teve novamente aquela estranha sensação de que o rei estava perto. Trabalhara duramente durante um ano, e os sinais indicavam que agora era o momento de partir.
«Vou voltar exactamente a ser como dantes», pensou o rapaz. «E as ovelhas não me ensinaram a falar árabe.»
As ovelhas, entretanto, tinham-lhe ensinado uma coisa muito mais importante: que havia uma linguagem no mundo que todos compreendiam, e que o rapaz utilizara durante todo aquele tempo para fazer a loja progredir. Era a linguagem do entusiasmo, das coisas feitas com amor e com vontade, em busca de algo que se desejava ou em que se acreditava. Tânger já não era uma cidade estranha, e ele sentiu que, da mesma maneira que tinha conquistado aquele lugar, poderia conquistar o mundo.
«Quando alguém quer uma coisa, todo o Universo conspira para que possa realizá-la.», tinha dito o velho rei."
in "O Alquimista" de Paulo Coelho

05 maio 2012

O Amor és tu

"...
falas o dialecto esquecido nas linhas que mais tarde servirão para fazer as letras
sabes sempre de cor o que dizer e dizes sempre outra coisa
dás solução a todos os enigmas e fazes outros no preciso momento
a tua graça inventou o riso
urge um mago para te decifrar
subiste ao mais alto não sei onde
ditaste de lá a distancia
soube-se aí o que nos separa das estrelas"

in "O Amor és tu" de João Negreiros